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Autores e fragmentos de suas obras estampados nas paredes da Estação

 

Estação Literária Profa. Maria de Lourdes Evora Camargo
consultoria: autores e obras
Doutoranda Mariana Duccini


Han Yu (Nanyang, 768 – Changan, 824) 


-Escritor chinês, defendeu o movimento pela língua chinesa usada inicialmente pela etnia Han; o ‘han yu’ é também conhecido como mandarim
-Sua defesa pela língua reflete-se na literatura: Han Yu propunha, para a prosa, um estilo mais direto e objetivo (contrariamente ao estilo que sobreviveu da dinastia Han até a dinastia Tang)
-Além do trabalho com a poesia, ficou muito conhecido por seus ensaios, bastante permeados por humor
-Foi um dos grandes propagadores do confucionismo, sistema filosófico pautado por valores como humanidade, justiça, bondade e perdão – “ética da reciprocidade”.

[o homem], Se fala, é porque não pode conter-se. Se se emociona, canta. Se sofre, lamenta-se. Tudo o que sai de sua boca em forma de som se deve a um rompimento do seu equilíbrio... A palavra é o mais perfeito dos sons humanos; a literatura, por sua vez, é a mais perfeita forma de palavra. E assim, quando o equilíbrio se rompe, o céu escolhe entre os homens os que são mais sensíveis e os faz ressoarem".

Rabindranath Tagore (Calcutá, 1861 – 1941)


-Poeta, romancista, músico e dramaturgo indiano
-Foi o primeiro não-europeu a conquistar o Prêmio Nobel de Literatura (1913)
-Influência cultural e política comparada à de Gandhi
-Condenava o domínio britânico na Índia, lutando pela independência do país
-Seus versos e sua prosa têm como características o naturalismo, o coloquialismo e a contemplação. - --Obra orientada por preocupações políticas e humanistas
-Escreveu oito novelas, 50 ensaios e contos e três mil poemas.
-Compôs duas mil canções
-Obra principal: Gitanjali [Oferenda poética]

A mesma torrente de vida, que dia e noite
percorre as minhas veias,
percorre o mundo em cadenciadas maneiras

Omar Khayyãm (Nishapur, 1048 – 1131)


-Astrônomo, matemático e poeta iraniano
-Estabeleceu-se como um dos maiores filósofos da era medieval
-Desenvolveu cálculos algébricos posteriormente retomados por René Descartes
-Sua filosofia defende a visão de que as leis da natureza explicam todos os fenômenos cotidianos (contrariamente aos dogmas islâmicos)
-Como poeta, ficou conhecido pelos Rubayat (estima-se ter escrito mais de mil)
-Celebrizou-se nos países de língua inglesa graças, sobretudo, às traduções de Edward Fitzgerald, em 1839

Noite, silêncio, folhas imóveis;
imóvel o meu pensamento.
Onde estás, tu que me ofereceste a taça?
Hoje caiu a primeira pétala.

Eu sei, uma rosa não murcha
perto de quem tu agora sacias a sede;
mas sentes a falta do prazer que eu soube te dar,
e que te fez desfalecer.
(tradução de Alfredo Braga)

Miguel de Cervantes y Saavedra (Alcalá de Henares, 1547 – Madri, 1616)


-Romancista, poeta e dramaturgo castelhano
-Leva vida aventureira, tendo sido preso diversas vezes. Foge para a Itália, onde se fere na Batalha de -----Lepanto. É capturado por piratas de Argel, de onde escapa em 1580, voltando para Castela. Preso novamente em 1597, começa a escrever Dom Quixote de La Mancha
-Obra principal: 
Dom Quixote de La Mancha
- Publicada originalmente em duas partes, entre 1605 e 1615
- Frequentemente considerado o primeiro romance moderno ocidental
- Paródia aos romances de cavalaria
- Inovação na linguagem castelhana
- Digressões: o soldado e o escritor

Luís Vaz de Camões (Lisboa, 1524 – Lisboa, 1580)


-Sua biografia é incerta. Frequentou a corte de dom João III, dominava o latim e possivelmente estudou na Universidade de Coimbra
-Inicia a carreira como poeta lírico, vertente em que canta seus amores por nobres e plebeias. Escreveu redondilhos e sonetos, vertente em que se celebrizou
-Preso diversas vezes, autoexila-se em Ceuta. Atuando como militar, perde o olho direito em uma batalha no Estreito de Gibraltar
-Publica, em 1572, a maior epopeia nacionalista em língua portuguesa
-Obra principal:
Os Lusíadas
- heroicização do povo português
- mescla a história e a mitologia
- dedicatória a D. Sebastião
- episódios principais:
Gigante Adamastor, Inês de Castro, Ilha dos Amores

Fernando Pessoa (Lisboa, 1888 – 1935)


“O poeta é um fingidor”
-Maior nome do movimento modernista português
-Sua obra é um “legado da língua portuguesa ao mundo” (Harold Bloom)
-Como poeta, desdobrou-se em múltiplas personalidades (heterônimos). Também compôs poesia ortônima.
-A heteronímia: “Drama em gente”
-Fernando Pessoa, ele mesmo:
Mensagem
-Fernando Pessoa, os outros:
Álvaro de Campos: decadentista, futurista, intimista;
certa bipolaridade
Ricardo Reis: classicista, temas bucólicos, carpe diem,
estoico
Alberto Caeiro: ligado à natureza, despreza a metafísica

“pensar é estar doente dos olhos”

Edgard Allan Poe (Boston, 1809 – Baltimore, 1849)


-Carreira inicia-se com a publicação (Integrante do movimento romântico norte-americano
-Autor de histórias que cultuam o mistério e o macabro, é considerado o inventor do romance policial
-Aventura-se também pela ficção científica
-Tentou ganhar a vida apenas com a literatura anônima) de Tamerlane and other poems (1827)
-Em janeiro de 1845, publica o poema The raven
-De vida errática, começa a beber. Sua esposa morre de tuberculose
-Suas obras principais incluem The murders in the Rue Morgue e The mistery of Marie Roget

“It’s all over now: write Eddy is no more”

Antoine de Saint-Exupéry
[Antoine - Jean - Baptiste - Marie - Roger Foscolombe de Saint - Exupéry]  
(Lyon, 1900 – Mar Mediterrâneo, 1944)



-Piloto de aviação, integra a equipe de pioneiros franceses
-Vive na América do Norte por 25 anos, mas retorna à Europa para lutar com os Aliados em um esquadrão do Mediterrâneo
-Obras literárias caracterizadas por temas como a aviação e a guerra
-Escreve ainda sobre a Guerra Civil Espanhola e a ocupação nazista na França
-Obra principal: Le petit prince
- personagens repletos de simbolismo
- reflexão sobre valores humanos
- culto à infância

“O essencial é invisível aos olhos”

Lewis Carroll [Charles Lutwidge Dogson]
(Daresbury, 1832 – Guildford, 1898)



-Romancista, poeta e matemático britânico
-Aluno e professor da Universidade de Oxford
-Afeito ao trabalho com mágicas e marionetes
-Praticante de fotografia
-Inventor de enigmas de lógica e matemática
-Obras principais:
Alice’s adventures underground
Alice in the wonderland

(inspiração em sua amizade com Alice Liddell)

-Foi lido por Oscar Wilde e pela Rainha Vitória

Pablo Neruda
[Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto]
(Parral, 1904 – Santiago, 1973)



-Pseudônimo inspirado no poeta checo Jan Neruda
-Estuda pedagogia e francês na Universidade do Chile. Inicia-se na literatura
-Influenciado pela estética modernista, publica, em 1924, Veinte poemas de amor y una canción desesperada
-Com a Guerra Civil Espanhola, é destituído do cargo de cônsul da Birmânia. Em 1945, é eleito senador
-Em 1950, publica Canto general, em que sua poesia assume inflexão política e social
-Seus dias em Isla Negra são retratados em O carteiro e o poeta
-Marxista como Allende, desiste de concorrer à presidência do Chile, deixando ao colega a tarefa

América, no invoco tu nombre en vano. /Cuando sujeto al corazón la espada, / cuando aguanto en el alma la gotera, / cuando por las ventanas un nuevo día tuyo me penetra, / soy y estoy en la luz que me produce, /vivo en la sombra que me determina, / duermo y despierto en tu esencial aurora:/ dulce como las uvas,/ y terrible,/ conductor del azúcar y el castigo,/ empapado en esperma de tu especie, /amamantado en sangre de tu herencia. (Canto General, XVIII)

Manuel Bandeira (Recife, 1886 – Rio de Janeiro, 1968)


-Dimensão trágica que marca a obra é explicada pela condição de tuberculoso
-Integra a Primeira Geração Modernista Brasileira
-Seu estilo direto e objetivo é, entretanto, extremamente lírico e sensual
-É o poeta das “coisas simples”
-Aborda desde o particular até o universal
-Apresenta um humor ora ácido ora melancólico


Vou-me embora pra Pasárgada                 
Lá sou amigo do rei                               
Lá tenho a mulher que eu quero                 
Na cama que escolherei                            
Vou-me embora pra Pasárgada               
(...)  
                                                     
     
Vinícius de Moraes (Rio de Janeiro, 1913 – 1980)                                                     


-Entre as décadas de 30 e 40, foi censor e crítico cinematográfico. Estudou literatura em Oxford. Ingressa na carreira diplomática, servindo nos EUA, Espanha, Uruguai e França
-Nunca perdeu o contato com a vida artístico-literária do Rio de Janeiro, uma das expressões mais contundentes de sua obra
-Nos anos 1950, integra o movimento da bossa nova
-Sua poesia apresenta inicialmente a vertente religioso-espiritualista para, progressivamente, tornar-se afetiva e claramente erótica – “poeta do amor”
-Oscila entre as angústias do pecador e os excessos do libertino
-Passa de uma linguagem rebuscada a uma expressão direta, objetiva
-Sonetos inspiram-se na lírica camoniana, mas têm uma expressividade muito particular

Obras principais: Poemas, sonetos e baladas; Livro de sonetos; Para viver um grande amor; Orfeu da Conceição; Para uma menina com uma flor
                                                           

Cecília Meireles (Rio de Janeiro, 1901 – 1964)


-Vertente intimista levada ao extremo – caráter abstrato de suas obras
-Inclinação religiosa e mística, na poética do primeiro tempo
-Poesia = sentimento transformado em imagem
-Atenta à riqueza do ritmo e do léxico portugueses
-Sua poética dificilmente permite uma diferenciação rígida entre épica e lírica
-Sua obra principal, O romanceiro da inconfidência, evoca os tempos do ouro e a cultura neoclássica

Melhor negócio que Judas
fazes tu, Joaquim Silvério:
que ele traiu Jesus Cristo,
tu trais um simples Alferes.
Recebeu trinta dinheiros...
-- e tu muitas coisas pedes:
pensão para toda a vida,
perdão para quanto deves,
comenda para o pescoço,
honras, glória, privilégios.
E andas tão bem na cobrança

que quase tudo recebes!
Melhor negócio que Judas
fazes tu, Joaquim Silvério!
Pois ele encontra remorso,
coisa que não te acomete.
Ele topa uma figueira,
tu calmamente envelheces,
orgulhoso impenitente,
com teus sombrios mistérios.
(Pelos caminhos do mundo,
nenhum destino se perde:
há os grandes sonhos dos homens,
e a surda força dos vermes.)


Carlos Drummond de Andrade
(Itabira do Mato Dentro, 1902 – Rio de Janeiro,1987)



-Segue, em sua obra, a tendência proposta pelos modernistas da Primeira Geração, adotando o verso livre
-Além da poesia, produziu livros infantis, contos e crônicas
-Embora pertença cronologicamente ao Modernismo, sua obra é “inclassificável”
-Segundo A. R. De Santana, a poesia de Drummond estrutura-se com a dialética eu vs. mundo:
# eu maior que o mundo (poesia irônica)
# eu menor que o mundo (poesia social)
# eu igual ao mundo (poesia metafísica)
-Na vertente política, que desenvolveu no contexto da Segunda Guerra, destaca-se o tema da incomunicabilidade

Graciliano Ramos (Quebrângulo, 1892 – Rio de Janeiro, 1953)


-Grande expoente da Segunda Geração Modernista Brasileira (regionalismo crítico)
-Sua obra apresenta clara vocação política –> crítica, sobretudo, aos desmandos do coronelismo brasileiro
-Linguagem “seca”, objetiva, cortante
-Membro do Partido Comunista, é preso em 1935
-Obras principais:
Caetés (1933)
São Bernardo (1934)
Angústia (1936)
Vidas secas (1938) [‘O mundo coberto de penas’]
Memórias do cárcere (1953 – póstuma)

‘Ainda na véspera eram seis viventes, contando com o papagaio. Coitado, morrera na areia do rio, onde haviam descansado, à beira duma poça: a fome apertara demais os retirantes e por ali não existia sinal de comida. Baleia jantara os pés, a cabeça, os ossos do amigo, e não guardava lembrança disto’.
(Vidas secas, capítulo 2)

Jorge Amado (Itabuna 1912 – Salvador, 2011)


“Um baiano sensual e romântico”
-Um dos mais famosos escritores brasileiros traduzidos de todos os tempos
-Segundo autor brasileiro mais vendido
-Jornalista, envolve-se com a política, aproximando-se do comunismo
-Romancista voltado aos marginais, pescadores e marinheiros de sua terra, em vista da atitude vitalmente “sensual e romântica”
-Crítica às intransigências do poder – matizes políticos de sua obra
-Modelo oral-convencional de narrativa regionalista (estereótipos sobre personagens)
-Linguagem pouco afeita aos experimentalismos
-Pinta, em cores fortes, um notável painel da Bahia
-Principais obras:
Capitães da areia (1937)
Tieta do agreste (1967)
Gabriela, cravo e canela (1958)
Tocaia grande (1984)
A morte e a morte de Quincas Berro D’água (1961)
Dona Flor e seus dois maridos (1966)


Monteiro Lobato (Taubaté, 1882 – São Paulo, 1948)

“Não será mentindo às crianças que consertaremos as coisas tortas”

-Grande expoente da literatura brasileira do século XX, identifica-se à corrente pré-modernista
-Polêmica com Anita Malfatti
-Sua obra é marcada por fortíssima atuação política e crítica social
-Em uma época em que os livros eram editados na Europa, Lobato empreendeu um notável trabalho de editor (Monteiro Lobato & cia / Companhia Editora Nacional)
-Adido comercial nos EUA (Governo Washington Luís)
-Defensor da estatização do petróleo, é preso pelo Estado Novo (1941)
-Aproximações com o comunismo
-Obras principais:
Reinações de Narizinho (1931)
Urupês (1918)
Aritmética da Emília (1935)
Cidades mortas (1919)
O picapau amarelo (1939)
O escândalo do petróleo (1936)


 

 


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